27 de outubro de 2013

Aos Mestres

A todos os mestres,
Parabéns!

Parabéns pela ousadia que têm
ao se aventurarem na arte
de ensinar aquilo que aprenderam.

Parabéns pela determinação e foco 
no objetivo de formar cidadãos.

E que o mundo valorize
todos aqueles cujo amor e carinho estão presentes nas entrelinhas
dos número e letras que escrevem na tela do saber,
assim como as palavras que voam 
no diálogo do conhecimento.

Mais uma vez,
Parabéns!
Parabéns por se disporem à troca de luz,
marcando assim a vida de muitos
tal como antes alguém marcou  a vossa!

19 de outubro de 2013

Além do Horizonte

  Além do horizonte tudo parece eterno e inacabável como se todas as respostas necessárias morassem ali.
  O horizonte que vejo transpira paz, silêncio, e ao ser comparado com o tão famoso paraíso de Adão e Eva torna a decisão de escolher o mais belo um pouco mais complicada e menos óbvia.
  Muitos acreditam, como escrevi no início, que a solução está na "linha" que vemos ao erguermos a cabeça para o infinito mas, na verdade, as respostas têm uma única morada: o interior de cada um.
  Não é além do horizonte que está a paz, o bom senso, a capacidade de refletir e decidir, e os valores que nos moldam como pessoas, porque tudo isto e outras coisas mais habita além do reflexo que vemos no espelho.
  É na alma, além da pele e dos olhos, que há o conjunto de nuvens onde podemos deitar e descansar e é aí, além do que o Homem vê, que está o nosso verdadeiro eu. Nisso, e nisso só, pode-se confiar.




13 de outubro de 2013

Uma carta para ti

- Olá!
- Olá? - estranha a pessoa
Que fica feliz por ouvir um "Olá!" à toa.

Sim, "à toa".

"À toa" porque a arrogância é imensa
No coração do ser humano
Que sequer reconhece a sua espécie
Ao ponto de a tratar
Como um trapo velho, um pano.

Penso que é surreal 
Mas vejo em alguns olhos ódio,
hipocrisia e desejo de vingança carnal.
Há oportunismo que todos os dias treina.
A mais baixa lei da sobrevivência onde o egocentrismo reina.

Lei da selva.

Há perguntas que talvez possas responder,
Esclarecer.
Se uns dizem que viemos do pó
Porquê não somos humildes, solidários, voluntários e humanos?
Bastava isso, só.

Olha o estado da nossa casa!
Desorganizada, com vida falsa...
Onde uns andam descalços
Enquanto outros trajam valsa.

Eu sou culpada, tu és culpado
E as restantes pessoas conjugáveis também.
Estrela-guia aparece e ilumina a nossa mente
Tal como fizeste com os três senhores que levaste a Belém.
Conseguiste mostrar a luz que acabara de nascer
E hoje, só peço que reapareças 
para seguirmos a trilha correta que fará o nosso mundo crescer. 












23 de setembro de 2013

Lua

Leva-me contigo.
Leva-me contigo para o espaço, ou
Para a Terra.
Leva-me contigo porque sei que
Uma obra como tu,
Jamais erra.

Lua, ilumina o meu caminho
E livra-me de qualquer espinho.
Sê a minha estrela-guia
Quer de noite, quer de dia.

Lua, 
Ensina-me a sonhar
E ajuda-me a viver.
Um dia, tal como tu,
Ao meu lado estrelas vou ter
E todos os cometas
Que à minha frente quiserem passar,
Irão desaparecer.




14 de setembro de 2013

O Pequeno Grande Homem

Entre um beijo e outro
A chama da paixão se acendeu.
Meses depois, a mulher dá a notícia:
- "Estou à espera de um filho teu!"

Dia após dia,
Ano após ano,
As conversas do casal 
Passaram a ser de mau tom.
E eles nem se lembravam
Que, para a criança, isso não era bom.

Todas as noites a criança ouvia os gritos da mãe,
Enquanto o seu pai lhe batia.
Por socorro ela gritava,
Mas nunca ninguém aparecia.
A criança só e abandonada,
Era a espectadora daquela covardia.

Sentia-se só ao assistir aquela cena,
Pois da mãe o seu pai não tinha pena.

A criança solitária,
Com o passar do tempo,
Tornou-se num "homem" feito.
Cansado de ver a mãe sofrer,
Pensou que à paz ela tinha direito.

O Pequeno Grande Homem
Fez 8, 13 e de seguida os 16,
Até que na noite do seu aniversário
Decidiu acabar com aquela desgraça
De uma só vez.

Mesmo sendo aquela
Uma noite especial,
Assim como todas as outras
Não pôde faltar o duro ritual.
Mas agora tudo era diferente:
Quem assistia, já não era inocente.

Quando olhou pela fechadura da porta,
Viu o seu pai a levantar a mão.
A ex-criança, de imediato,
Ajoelhou-se e a Deus pediu perdão.

Pediu perdão por algum motivo,
Dali, talvez ninguém sairia vivo.

Levantou-se e foi até à sala.

Sem mais demoras,
E em menos de uma hora,
Pôs na mão esquerda um brinquedo:
Uma pistola.

Sem pensar duas vezes
E em total desespero
À cabeça do pai o Pequeno Grande Homem disparou.
Foi assim, desta forma,
Que a última discussão do pai e da mãe
Acabou.

A mãe ficou paralisada
E no que aconteceu ela não quis acreditar.
O seu Pequeno Grande Homem
Sacrificou-se por ela e isso não havia maneira de explicar.

O rapaz,
Com 16 anos acabadinhos de fazer,
Pôs o polegar no pulso do pai e viu que já nada havia a fazer.
Mesmo assim, 
Vendo o pai de olhos fechados
E esticado no chão
As últimas palavras quis dizer:

- "Pai, durante algum tempo
Foste o meu herói.
Estou a usar o pretérito,
E nem sabes o quanto me dói.
Hoje completei os meus 16 anos,
E desta data irei sempre recordar.
Antes de puxar o gatilho orei a Deus
Mas não sei se ele me irá perdoar,
Pois foi ao tirar a tua vida
Que a da mãe consegui salvar..."