2 de fevereiro de 2013

Difícil é perdoar

Hoje em dia,
O desculpar e o pedir desculpas
Encontram-se facilmente
Na boca de qualquer um.

Tornou-se simples
Magoar as outras pessoas,
Porque mais tarde basta dizer:
Desculpa.

Perdeu-se o valor dos valores.
Já nada interessa
Porque sabem que o segredo do tentar esquecer,
Resume-se numa só palavra.

E o perdão?
Esse, nem toda a gente
Tem coragem para o pedir.
Nem todos o conseguem sentir...

Esta sim, é a palavra certa
Para tentar tapar um erro.
Esta é a palavra
Que realmente tem significado.

Até é bom, o facto de
O perdão não ser vulgar,
É da maneira que se preserva o seu valor,
Que é bem alto, por sinal.

Chega de desculpas.
Párem de magoar.
Porque o "desculpa" é facil,
O difícil está no perdoar.
 

15 de outubro de 2011

Tudo o que éramos


Antes era tudo cor-de-rosa,
Nada nos afectava, tudo nos unia.
A palavra amizade,
Era a nossa alegria.

Sorrisos, brincadeiras e travessuras,
Era o que sabíamos fazer…
A nossa frase foi sempre:
“Teu amigo/a para sempre vou ser!”

Os desentendimentos
Nunca deixaram de existir, mas apesar de tudo,
Resolvíamos as nossas diferenças
E seguíamos em frente,
Com um sorriso no rosto.

Passaram-se dias, semanas,
Meses e alguns anos,
Até que a verdade veio ao de cima.
Até que os ventos fortes chegaram e
As tempestades tornaram-se intensas,
Fazendo com que, inesperadamente e surpreendendo a todos,
O vulcão entrasse em erupção,
Arrastando consigo tudo o que construímos até ao momento.

2 de setembro de 2011

*

Cada jovem tem dentro de si uma borboleta inquieta e ansiosa por poder voar, para ver o mundo à sua maneira e da forma como sempre quis. Uma borboleta que já se sente pronta para deixar o casulo e seguir uma estrada nova, traçada por si mesma sem pegadas nem vestígios de outros seres.
Uma estrada limpa é o que procuramos, conscientes de que o caminho estará repleto de obstáculos que devemos ultrapassar da melhor forma possível. Queremos descobrir a realidade por nós próprios, sem ter que aturar pessoas armadas em filósofos que pensam saber muito, mas no fundo muitas delas sabem tanto como nós, gente que critica tudo e todos e não olham para os espelhos que têm em casa para ver quem realmente precisa de críticas. Deixem-nos errar. Só assim iremos conseguir reflectir e aprender sobre aquilo que nos avisam. Sim, já ouvimos falar disto e daquilo. Sim, já sabemos essa história de cor. Chega de frases feitas, é preciso ser-se original! Ter ideias novas. Apreciar cada momento porque cada um deles é especial. A vida não é como os filmes. Não há Replay.
No meio de tantas regras, é impossível cumprir todas elas. E porque não revoltarmo-nos? Não por teimosia, mas sim porque simplesmente não concordamos com algo ou alguém. Cada um deve acreditar em si próprio, e fazer ou dizer aquilo em que realmente acredita!

11 de agosto de 2011

O Cavaleiro da Noite

Era mais uma noite escura,
De brisa fria e céu estrelado…
Mais uma noite de lua cheia,
Na qual a espera tinha um tempo indeterminado

Ela olhava, olhava,
À procura de um sinal…
Na expectativa de encontrar
O seu Cavaleiro imortal.
O tal cavaleiro,
Que lhe preenchia o pensamento.
O tal cavaleiro,
Que ocupava o seu coração.
O Cavaleiro da Noite era a sua perdição.

Foram noites e noites
À espera do seu amor…
Inúmeras lágrimas derramadas,
De Sangue, desespero e dor!

E até hoje
Olha, chora e suspira.
Pois a esperança que tem não a faz deixar de acreditar,
Que numa destas noites
O seu Cavaleiro, o Cavaleiro da Noite,
A sua boca beijará!

1 de agosto de 2011

A Menina-Sem-Nome

Esta é a história de uma menina cujos pais sempre foram muito ricos. Estes pais, mimaram demasiado a sua filha que, desde muito nova, sempre gostou imenso de dinheiro, porque foi ele que lhe deu e lhe dá tudo aquilo que deseja. Nada fazia, nada pensava. Os seus únicos consolos eram as notas e os cartões de crédito que lhe ocupavam a carteira de uma forma estupidamente exagerada. Uma pequena florzinha, mas já a viver no Mundo do Tudo Posso.
Esta rapariga foi crescendo, crescendo e ficando cada vez mais obcecada pelo papel, cuja forma rectangular cabia na perfeição dentro da sua fabulosa bolsa, fabricada com pele de cobra e feita especialmente para si. As pessoas começaram a odiá-la. As “amigas” que só se aproximaram dela por interesse começaram a deixá-la de parte. Continuaram a ignorar a sua presença, apesar de ser sempre notada. Acabaram por deixá-la só. Sem nada, nem ninguém… mesmo sabendo que a Menina-Sem-Nome tinha tudo o que queria, tudo o que elas nunca poderão ter.
A pouco e pouco, mas de um modo repentino, já não tinha ninguém por perto. A Menina-Sem-Nome afastou, sem se aperceber, todos aqueles que eram importantes para ela: familiares, amigos, conhecidos.
- E de quem seria a culpa? – Perguntam vocês
Eu respondo:
 - Exclusivamente dela!
Talvez se esta rapariga não fosse tão supérflua, tão arrogante e mimada, nada disto teria acontecido. Contudo, agora a pergunta que paira no ar é: Esta forma de pensar e agir diante do dinheiro valeu a pena?  Penso que a resposta seja óbvia.